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Vício em videogames vira transtorno psiquiátrico

O expressivo avanço tecnológico ocorrido nos últimos anos, fez aumentar a popularidade da internet e de jogos eletrônicos, que passaram a figurar entre as atividades mais desejadas, com relação ao lazer, para crianças, adolescentes e adultos.

E, passou rapidamente de uma ferramenta de entretenimento, a um instrumento de ações conectadas com comportamentos abusivos, de isolamento vicioso e marcados por excessiva impulsividade, que terminam por culminar em severos impactos na vida cotidiana de seus usuários.

Devido a isso, o vício em jogos de videogame, será incluído pela primeira vez, como doença mental, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) à sua próxima edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que não é atualizada desde 1990. Essa nova classificação trata essa condição sob o nome de “distúrbio de games”. O documento descreve o problema como padrão de comportamento frequente ou persistente de vício em games, tão grave que leva o sujeito a preferir os jogos a qualquer outro interesse na vida, obviamente trazendo consequências graves para a saúde.

Há um número crescente de pacientes viciados em games que estão associados à depressão, suicídio, transtorno de ansiedade social, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo, segundo apontam os estudos internacionais. 

Alguns parâmetros já tem sido usados  para caracterizar a dependência do uso da internet. Os  critérios propostos mensuram: preocupação excessiva com a internet;  necessidade de aumentar o tempo de conexão à internet para ter satisfação; presença de irritabilidade ou depressão; comprometimento das relações sociais, do trabalho ou dos estudos pelo uso da internet; uso de mentiras para justificar aos outros sua necessidade de acesso à internet; utilizaçao da internet como maneira de escapar dos problemas ou para aliviar sentimentos de impotência, culpa, ansiedade e depressão.

Os indivíduos que fazem uso excessivo de jogos eletrônicos possuem, frequentemente, uma  comunicação familiar restrita e um círculo social reduzido, além disso, costumam ser solitários, apresentam respostas hostis e comportamentos agressivos.

A dependência de jogos eletrônicos pode trazer, como consequências negativas, problemas nos relacionamentos interpessoais, aumento do comportamento delinquente, além de isolamento social e queda nos desempenhos acadêmico e profissional.

Jogos violentos e hostis podem disparar comportamentos agressivos em jogadores, levando-os a acreditar que tais ações são comuns no convívio social. O jogador pode, inclusive, incorporar traços da personalidade de personagens. Alguns jogos podem levar à confusão entre realidade e fantasia. Existem casos de crianças que assumem uma dupla personalidade, principalmente aquelas com carência afetiva.

Por tudo isso, a atenção dos pais se faz urgente. A recomendação é conversar sobre as consequências do uso abusivo nos tablets, negociar limites e horários pra dormir e se alimentar. Equilibrar uso da internet com esportes e lazer ao ar livre. Estimular a saída com amigos e entretenimentos diversos como viagens e períodos sem conexão com a rede. Cobrar rendimento satisfatório na escola, acompanhar as tarefas e atividades avaliativas. E, estar perto, estar presente,  com afeto e dando o melhor exemplo, – sim, os pais também precisam a aprender a se equilibrar sobre o uso da internet. Esses, são quesitos fundamentais para a prevenção da não instalação de males da saúde mental na sociedade atual.

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Gina Strozzi

Gina Strozzi é Colunista de Comportamento da Revista AG, do Jornal A GAZETA. Presta Assessoramento Científico na Área de Humanas para a FAPES (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Espírito Santo) Possui graduação em Teologia, Pedagogia e Psicologia. Especialista em Sexualidade Humana e NeuroCiência pela Faculdade de Medicina da USP. É Mestre, Doutora e Pós Doutora (postdoc) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Seu interesse de pesquisa é sobre o comportamento humano, mais especificamente estuda os temas: patologia psicológica, o comportamento social, a sexualidade humana e estudos de gênero e a condição da Mulher. Atualmente atua no Consultório Particular como psicóloga Clínica na Cidade de Vitória, onde ja foi Professora da FAESA e na FUCAPE para o MBA em Liderança. Já lecionou na Universidade Presbiteriana Mackenzie onde inclusive foi Pesquisadora Líder do Núcleo de Pesquisa em Sexualidade e Educação do Centro de Ciências Humanas – CCH. Tem experiência na área de Psicologia, Saúde Sexual, Gênero e Educação.

19 de junho de 2020

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